sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ENGASGADO


Dos mais sérios, os menos importantes
Toda a minha vida apertada num hidrante
Que explode na hora da emergência

O que ninguém quer ver,
Teu dia oferenda de desgraça
Boca do inferno no banco da tua praça
Um bueiro aberto na tua casa
E o braseiro manchando tua fachada

Diante do concreto, camarada
Não é nada!


- Ricardo Celestino

FELIZ ANO NOVO...

Oeste que me venha a morte,
por que do Leste é que sai a vida.

Nasce o Sol, a razão,
meu tempo já não é o tempo de segurar em mãos.
Passo cada passo e vou,
Morro ontem,
Nasço amanhã,
Vivo hoje,
andando no que eu encontro de espaço,
no que me milha para bicar.

- Ricardo Celestino

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

6º SARAU DA CAMARILHA

6º Sarau da Camarilha em edição especial


A 6º edição do Sarau da Camarilha ocorrerá no dia 12 de setembro, às 20 horas, no Espaço Cultural Oficina, na rua Alfredo Pujol, 381, próximo ao metrô Santana.

Nesta edição contará com um pocket show de Vlado Lima, do sarau Sopa de Letrinhas, e com a presença dos escritores Ruy Mascarenhas, autor do livro de poemas Meio Homem, e Marcelino Freire, autor do livro de contos Rasif – Mar que Arrebenta, segundo livro publicado pela editora Record.

Haverá ainda os habituais acontecimentos que fazem do evento sempre especial, dentre outros, sorteios de livros, leituras de textos dos poetas da casa e convidados e palco livre, tudo sob a recepção do escritor Marcelo Nocelli e da Prof. Dra. em Literatura Comparada e Teoria Literária Jucimara Tarricone.

Mais informações pelo telefone 3467-6160 e no site do grupo Litter(ação): http://www.litteracao.com.br/


- Ricardo Celestino


E ainda,

Estão abertas as inscrições para Oficina literária

Uma ação reflexiva sobre os diversos gêneros literários a fim de ressaltar suas particularidades de linguagem e estimular a produção de textos discursivos é o propósito da Oficina Literária - Escrita criativa: a ação da leitura e a escrita em ação.

As potencialidades de cada gênero serão exploradas pela provocação crítica e pelos recortes ortográficos como a sintático-semântica, a fônica, a morfológica, a lexical etc. Pelos elementos de narrativa (personagem, tempo-espaço, narrador) espera-se promover condições para o desenvolvimento da produção lúdica e criativa da escrita.

Ministrantes: Jucimara Tarricone e Marcelo Nocelli

Jucimara Tarricone é Doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP (2007); Mestra em Comunicação e Semiótica: Literaturas, pela PUC - SP (1997) e Especialista em Literatura pela PUC - SP (1998). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, e atua principalmente nos seguintes temas: Teoria e Crítica literárias, Literatura Comparada, Literatura e Filosofia, Literatura e Psicanálise e Semiótica.

Marcelo Nocelli é Escritor, formou-se em tecnologia eletrônica e atualmente é licenciando em Letras. É autor de contos e crônicas, publicados em revistas e sites especializados. É cronista da Revista ZN. Participou de diversos concursos literários e recebeu o prêmio Lima Barreto - Novos Talentos em 2008 pelo conto "Vivendo e aprendendo". No romance, estreou com O Espúrio, em 2007. Seu segundo romance O corifeu assassino tem lançamento previsto para outubro de 2009.

Data: 05.09.2009
Local: Espaço Cultural Oficina
Rua Alfredo Pujol, 381 - Santana
Carga Horária: 8 h/a
Horário: das 9h às 18h
Investimento: R$ 60,00

Informações e inscrições: http://www.litteracao.com.br ou pessoalmente no Espaço Cultural Oficina.


Fonte: http://www.revistazn.com.br/modules/news/article.php?storyid=94

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

LUZES VERMELHAS



Que se rendeu,
A um olhar de baixo enquanto
Em um pranto acalmado
Via um corpo atravessado
Entre os dois jovens amados.

Se vendeu,
Em um proposto iluminado
Por vermelhas luzes de um sobrado,
E como um louco necessitado
À luxúria de um contrato

E resgatou
Aqueles momentos de agrado,
Murmurando um forte brado,
Que por punhados de trocados,
Acabaram quitados.

Que custou
Um grande amor vivenciado,
Trazendo um céu todo nublado,
E este amante sem cuidado
Um grande amor enterrou.

- Ricardo Celestino

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A FLIP E O COMÉRCIO LITERÁRIO...


Na Quinta-Feira, 02/07, estava trabalhando na FLIP, vendendo meu livro Descaminhar, no velho e prazeroso esquema de abordagem direta, olho no olho, mão em mão, quando fui alertado por um fiscal de que a FLIP havia solicitado à Prefeitura de Paraty que não permitisse que ninguém trabalhasse vendendo seus materiais na cidade, mesmo eu sendo um convidado da Off-Flip e mesmo o produto que eu estava ali divulgando sendo algo extremamente pertinente ao momento: um livro. No segundo momento, quando chamado por uma leitora que havia visto anteriormente o livro e estava interessada, fui novamente repreendido pelo fiscal que então tomou uma absurda atitude para o século XXI - Apreendeu os livros, escritos e produzidos por mim mesmo, dos quais eu sou único responsável e proprietario dos direitos autorais, sob o argumento de que eu estava "comercializando produtos sem autorização".

É importante ressaltar que eu em momento algum montei uma banca, uma barraca ou qualquer coisa do tipo - o que descaracterizaria qualquer dano patrimonial a cidade, desculpa oficial que surgiu dias depois da FLIP mas que sequer foi comentada durante a FLIP. Eu estava apenas divulgando de mão em mão, olho no olho, dentro do meu direito de ir e vir e de livre expressão artística. Eu não estava portando logotipo de nenhuma empresa, não estava vinculado a nenhuma instituição ou pessoa juridica e, portanto, esse ato não pode ser caracterizado como "ação comercial". A origem da poesia vem das ruas e praças, onde ela nasceu. No entanto, desde os tempos dos trovadores o artista precisa comer e ter onde dormir e, portanto, faz-se necessário dentro de um trabalho de divulgação a contrapartida financeira.

Diante de tal situação rumamos eu, Berimba de Jesus e Rodrigo Ciriaco para a Off-FLIP, que nos havia convidado, a fim de relatar o episódio. Quando conversamos com o Ovidio, ele nos informou que a FLIP já havia repreendido também algumas meninas que estavam divulgando folhetos da Off-FLIP e demonstrou grande preocupação com o fato. Na mesma tarde Rodrigo comunicou Marcelino Freire do ocorrido e nós também conversamos com a Lia, da Off-FLIP, que também se comprometeu a atuar no sentido de lutar pela liberação do nosso trabalho. Graças a um esforço conjunto de diversas pessoas, que procuraram a direção da FLIP e a imprensa, conseguimos finalmente chegar ao Sr. Didito, que nos informou "que a FLIP não queria ser caracterizada como um evento comercial, que não queriam que virasse uma feira." Explicamos a ele a natureza de nosso trabalho, que não estavamos montando barracas, o que descaracterizaria a "feira", que a literatura de rua é uma tradição antiga no Brasil, que mesmo Manuel Bandeira, homenageado da edição, editava e vendia os próprios livros e, após esta conversa, mesmo com relutância, ele acabou não apenas me autorizando a trabalhar, mas a todos os demais escritores de rua.


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O caso é que tal apreensão gera a necessidade de uma reflexão mais ampla sobre o momento cultural que o Brasil vive. Um país que luta para estabelecer uma cultura de leitores não pode abdicar jamais do trabalho dos muitos autores que tomam as ruas para divulgar a literatura. Estas pessoas, de vidas dificeis e que lutam para sobreviver com um minimo de dignidade, dedicam suas mais nobres e vitais energias para ultrapassar as dificeis barreiras impostas entre um autor e seu público. Ninguém fica milionário com isso (muito pelo contrário) e, na verdade, a maior parte dos autores de rua trabalham de segunda a segunda, faça chuva ou faça sol, e ainda por cima sofrem com a pecha de "vagabundos" e com um preconceito cada vez maior, inclusive do meio literário. Como se fossem uma espécie de "sub-literatura". O que, na verdade, esconde um argumento implicito de que só é "boa literatura" aquela literatura que é chancelada pelos meios oficiais. Se você não passou por um crivo editorial, se não tem um respaldo acadêmico, você passa a ser tachado como um "artista menor".

Esse preconceito chancela atitudes autoritárias como a que ocorreu na FLIP, como se o autor que vende o seu livro na rua fosse um mero camelô, vendendo produtos contrabandeados sem recolhimento de impostos. Não é. Um autor que está divulgando sua obra tem um carater diferenciado por alguns motivos. Primeiro: é dono da obra em questão, seu único responsável e detentor dos direitos autorais. Segundo: seu "produto" foi produzido por ele, não foi tomado de ninguém e, portanto, é perfeitamente legítimo que ele possa comercializá-lo. Terceiro: o livro é um produto isento de tributação e, assim, quando ele faz sua venda olho-no-olho não está sonegando nenhum imposto. Quarto: a venda deste "produto" extremamente específico, de valor cultural, pode ser classificado como direito de expressão artística. Pois, quando o artista se depara com as MUITAS barreiras existentes entre ele e o público (que julgo desnecessário citar, pois creio que quase todos sabem das dificuldades de ser publicado e chegar às livrarias no Brasil), as vezes sua única saída é trabalhar com o relacionamento direto com o leitor. Ou seja, se um autor está na rua vendendo seus livros isto muitas vezes reflete uma falta de opções diante da sua necessidade de se expressar e ser lido. Pode-se até questionar eventualmente este caminho. Mas é indiscutível que é algo que deve ser respeitado.

Assim, vejo como necessário aproveitar esse momento para levarmos a uma reflexão, a fim de que se possa revalorizar esta difícil escola das ruas. Essa escola que olha no olho dos leitores, que percebe suas emoções refletidas nos olhos diante do livro, que masca pedras para cuspir flores. O público é também um validador possível para a literatura, não cabendo apenas aos meios tradicionais o poder de chancelar o que é ou não literatura. Até porque estes meios também são dinâmicos e o que antes era considerado bom pode amanhã ser ruim, ao sabor do gosto ou da teoria do momento. Assim, é legítimo legar ao leitor diretamente o direito de decidir o que lhe agrada ao não, independente de resenhas, indicações ou prêmios. Á Cesar o que é de Cesar.

Agora o que dizer a quem sustenta um evento que toma atitudes que deveriam ser sumariamente rechaçadas? Talvez que, assim, a FLIP NEM PARECE FESTA LITERÁRIA. Que NÃO FOI FEITA PARA VOCÊ e NEM ACREDITA NO MELHOR DO BRASIL. Enfim, é algo para se pensar.

- extraído do blog Qualquer Nota, de Pedro Torres.

Por favor, se você concordar com estas palavras, passe adiante. Não podemos nos calar diante disso.

QUADRINHOS E INDEPENDÊNCIA

De 4 a 30 de setembro, os usuários do Metrô de São Paulo poderão rever, de forma lúdica, alguns dos principais acontecimentos que levaram à Independência do Brasil em 1822. A exposição História do Brasil em Quadrinhos: Independência integra o programa Embarque na Leitura e reproduz, por meio de 20 painéis, trechos do livro em quadrinhos publicado pela Editora Europa.

Na obra, fatos como a fuga da família real portuguesa, o Dia do Fico e o grito do Ipiranga são reconstituídos pelo personagem do professor Daguerre a três crianças durante uma excursão escolar ao Museu Paulista. O desenvolvimento dos personagens infantis teve a preocupação de abranger a diversidade étnica brasileira: a oriental Catarina, o negro Marcelo e o branco Gustavo, este, inclusive, um cadeirante que demonstra a mesma disposição e alegria dos amigos ao longo de toda a aventura.

Os autores basearam-se em diversas obras de arte sobre este período da História do Brasil como forma de remeter à adaptação para os quadrinhos aos livros da educação formal nas escolas.

A exposição na estação Alto Ipiranga do Metrô não só instrui os usuários sobre este importante fato histórico como também apresenta estas curiosidades, convertendo-se num programa para todas as idades.

O livro História do Brasil em Quadrinhos: Independência foi desenvolvido pelo núcleo da revista Mundo dos Super-Heróis, do editor Manoel de Souza, em parceria com Edson Rossatto e Jota Silvestre (roteiro); Laudo (desenhos); Celso Kodama (esboços); Omar Viñole (cores) e André Morelli (assistente de edição).

A exposição é organizada pela Andross Editora com apoio do Metrô de São Paulo e Editora Europa. Nos dias 09, 16, 23 e 30 de setembro, das 19 às 21 horas, os autores da HQ estarão na exposição para interagir com os visitantes

SERVIÇO:

Exposição História do Brasil em Quadrinhos: Independência – Curiosidades Históricas e Bastidores da Criação do Livro.
Local: Estação Alto Ipiranga do Metrô – São Paulo/SP
Data: de 4 a 30 de setembro
Horário de funcionamento da estação: 4h40 min. às 00h00
Organização: Andross Editora e HQ em Pauta
Apoio: Metrô de São Paulo, programa Embarque na Leitura e Metrô de São Paulo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

FLORESTA DESPENTEADA



Um, o poder divino de...
Um, leite derramando...
Um, alicerce Américo-troiano me clamando...
Um, Deus do rondó e do baiano...
Um, me possuindo com unhadas de...

Um, deus troiano... Um, deus baiano...
Um, leite derramando... Um, floresta despenteada!

A, ritmia agreste!