terça-feira, 24 de maio de 2011

AFORIZAÇÃO

Sorriso em hora errada
Carta de amante a namorado
Piada de velório
Culpa no escapulário

Traição sem trair
Gozo sem gozar
Descida simultânea de mal-estar

Viagem, vertigem
Zona parcial de um comportamento qualquer
Espera que o mal te quer

Ricardo Celestino

quinta-feira, 14 de abril de 2011

HORA DE MAIS


Comoções de bengalas
Não movem canhões

Trincheiras ao acaso
Somem e viram grotões

Depressão
Tédio
Deflação acelerada de nós dois

Esperança insólita
Inflação de nossos corações

segunda-feira, 11 de abril de 2011

QUE O QUE?


A formalidade institucional às vezes aborrece. Os olhos lacrimejam saciedades de estorvar o que não é cumplicidade, como se somente existisse você e o instinto animal de consumir o que quiser, na hora que. Vejo por exemplo o macaco, aquele homem desenvolvido que pode comer com os pés, e quantas vezes em minha vida quis andar com as mãos e necessitar dos pés para outras. Haja que lhe dão paciência e você a consome com o que. Viajando, dançando, virando nuvem, em hora e data do que. Palestrando, comendo hiatos, cometendo quiasmos, tudo no momento que. Deus fez, quis, se apoderou das extremidades e das periferias no exato instante que.

- Ricardo Celestino

sexta-feira, 8 de abril de 2011

COLÉGIO MINADO




As traças civilizadas
Deságuam desgraças
Em forma de pólvora
Civilização!

Espelham, semeiam
Vento, vertigem, vontade
De olhos em graças
De podridão!

Até quando a gente
Vai ver o mundo
Explodindo o canhão?

Até quando a gente
Viola com brasas
O nosso irmão?

sexta-feira, 18 de março de 2011

CAOS E CONSERVAÇÃO




Não cessam os comas, as dores, as fomes
Os bebês saciam carnificinas pessoais
Em trilhos, trens, carretas,
De cargas sentimentais.

Esperam hora,
Espremem o dia,
Coroam rainhas
Viajam paraísos artificiais.

Vem a hora, vêem o dia
Não custam a dizer
Eu não agüento mais.


- Ricardo Celestino

segunda-feira, 14 de março de 2011

ANTES DE ACABAR...



Vejo-me escondido e surdo
Acompanhado de um poema sujo
Falando prosas particulares

E quando vira a vida, ou um segundo
Parece que já to ficando mudo
Desvia o Sol daqueles teus olhares

Se decidir que na manhã te nublo
Eu preferiria você assim desnudo
Para entrar de vez em meus alteres

Mas como peca essa dor de mundo
Queria observar mais um segundo
Até que se vá então a outros ares.

- Ricardo Celestino

quinta-feira, 10 de março de 2011

O PREÇO DA VIDA



Tanto faz que dizem sim
Tanto dizem que um não
Pode ser coragem para mim
E até glória, ou comoção

Vejo a vida diferente
Escolho os meios, os ares
Sempre que remo contra corrente
Encontro carranca nos olhares

Quanto vale a vida
Sempre à missão, ao objetivo
Se tão geral, ou tão específico

Quanto vale a vida
Que nesta nau não me cativo
Que desencontro pontos pacíficos.

Ricardo Celestino