quinta-feira, 29 de maio de 2008




- Pensa só... existem coisas que a gente acaba omitindo, só para nos sentirmos bem conosco, mas no fim, percebemos que a vida é uma linha... sei lá, uma linha meio frágil, mas uma linha.
- Eu sempre quis ser o melhor...
- É, aí a coisa ja não é mais comigo...
- Bem, valeu Saudade.
- Até mais!



- A vanguarda... ela normalmente busca novos caminhos marginais até virar aplausos. Aí ela se cansa.
- Secaram?
- Jamais... se fosse óbvio, que razão teria?


Lá vai... O X-Ignorância deu uma ótima idéia e eu comecei a rabiscar algumas coisas..... ainda não é nada definitivo, já que teremos boas discussões sobre tudo isso... acontece que ta virando uma coisa grande, profunda... e eu acho q vai ficar ótimo (não pela minha parte, mas por unir a insanidade de um comilão e a agaivética espetada de um brazillix (nota: que quem não lê esse blog com freqüência não vai entender o trocadilho... - nota da nota: essa é uma dica, seu idiota! Xerete os posts anteriores que vc vai enteder)

bom, é isso... e fiquem com Deus viu...

Ricardo Celestino

quarta-feira, 14 de maio de 2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bem, fiquei um pouco maluco com a idéia de que todos temos uma cenoura invisível... isso me perseguiu tanto que ontem tive uma aula sobre Psicanálise, e vi que a psicanálise é um pouco fundamentada na cenoura invisível. interessante...

Mas sem dúvida que o autor desse texto é um maluco desgraçado. Bem, aí vai o texto, é de Chuck Palahniuk, autor do Clube da Luta.

Inspire.

Inspire o máximo de ar que conseguir. Essa estória deve durar aproximadamente o tempo que você consegue segurar sua respiração, e um pouco mais. Então escute o mais rápido que puder.

Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre "fio-terra". Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.

Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.

Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.

Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.

Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.

Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.

Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.

Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.

As pessoas na França possuem uma expressão: "sagacidade de escadas." Em francês: esprit de l'escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa....

Enquanto você desce as escadas, então - mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora.

Esse é o espírito da escada.

O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.

Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.

Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer... melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.

Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, na qual o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os faziam gozar melhor. De forma mais intensa.

Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.

Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.

Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.

Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.

Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.

Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos. Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.

O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.

Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.

Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.

O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows.

Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais expesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.

O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmãos mais velho da Marinha escreveu.

No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.

Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.

Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.

O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d'água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.

Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.

Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.

Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando a luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas nais quais você não se preocupa que te pegam.

A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.

Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cú chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.

Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.

Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmão no balé. Ninguém estará em casa por horas.

Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo.

Faço isso de novo, e de novo.

Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cú sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.

E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.

Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.

As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.

Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.

As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás... mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.

Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.

Então... eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cú. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentido a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.

Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.

Ver essa pílula foi o que me salvou a vida.

Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.

Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.

O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.

Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma.

Deus proíba que meus pais vejam meu pau.

Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.

Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre um camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d'água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.

Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.

Você então vê contra o que eu lutava.

Se eu largo, sai tudo.

Se eu nado para a superfície, sai tudo.

Se eu não nadar, me afogo.

É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.

O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na árgua turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.

Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.

Algo sobre o qual nem os franceses falam.

Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos "Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça...," os russos dizem, "Preciso disso como preciso de dentes no meu cú......

Mne eto nado kak zuby v zadnitse.

Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.

Droga... mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.

Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cú. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.

Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.

É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, "Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque." E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.

Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim....

Precisava disso como precisaria de dentes no cú.

Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.

Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.

Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, "Aquela p#%%@ daquele cachorro era maluco."

Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, "Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo...."

E então a menstruação da minha irmã atrasou.

Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram mais isso novamente.

Nunca.

Essa é a nossa cenoura invisível.

Você. Agora você pode respirar.

Eu ainda não.



Freud iniciou seu trabalho usando o hipnotismo com o objetivo de fazer com que as pacientes reproduzissem as situações traumáticas que estavam na origem de seus sintomas.

Posteriormente, descobriu que os pacientes não precisavam ser hipnotizados e que a recordação por meio da sugestão, era um método mais eficaz para eliminar, alterar ou diminuir os sintomas.

Mais tarde, Freud chegou ao método psicanalítico propriamente dito, e passou a orientar a seus pacientes que falassem sobre qualquer coisa que lhes viessem à mente, mesmo que pudesse parecer sem importância, sem relação com seus problemas, ou que fossem reprováveis. Esta é a "regra fundamental" da psicanálise, que é apresentada a cada paciente e com a qual todo paciente deve colaborar. Freud descobriu que todos esses pensamentos, lembranças, fantasias, tinham relação com os sintomas. Freud acreditou no valor das palavras e propôs aos pacientes a recordação e até mesmo a "construção" como método de tratamento psíquico. Descobriu que o sintoma tem um sentido, ou múltiplos sentidos que foram esquecidos pelo sujeito ou que nunca lhe foram conscientes. Para a psicanálise, os sintomas psíquicos são formas substitutivas de satisfação e estão relacionados à sexualidade infantil reprimida.

- Ricardo Celestino

segunda-feira, 12 de maio de 2008



Me posicionando nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade eu consigo fazer de mim mesmo um grande líder político.

E a receita é ser livre para ouvir apenas um, ter a igualdade de apenas seu mundo e a fraternidade de posicionar-se no que te oferecem.

A grande questão é instruir meus comuns desses conceitos, dizendo de forma revolucionária que o necessário é abrir os horizontes, ser ativo. No entanto, a única ferramenta que lhes proporciono é minha cartilha eleitoral.

Abençoadas as teorias que alienam meu povo!
Sou esquerda, sou direita, sou de centro... sou um grande líder de um bando de idiotas.

- Ricardo Celestino

sexta-feira, 9 de maio de 2008

APOSENTANDO-ME... ou FILA NO INSS... ou EU POSSO USAR O BANCO CINZA DO METRÔ...

A China subjetiva esconde
Uma multidão de geniais substantivos,
Uns mais perfeitos que os outros.


Acordei hoje um pouco de saco cheio de ter que ler ou escrever... sei lá, as vezes eu tenho vontade de enterrar o dia, sabe? tirar pra não fazer exatamente nada!


rs

Quero minha aposentadoria!

- Ricardo Celestino

terça-feira, 6 de maio de 2008

PREFÁCIO MAIS QUE INTERESSANTÍSSIMO

Escrevo um prefácio mais que interessantíssimo com o ultraje de ser mais novo e mais velho que o dono do interessantíssimo. Não há intenção na discussão: escrevo por que o instante pede, por que ando, respiro, bebo, me divirto, me entristeço, me revolto. A escrita é espelho, embora deformado e estranho, bonito e feio, ativo ou inativo.

Cada letra, cada verso, é coração. Escreveria sobre todos, mas estragaria a mágica da poética tornando o trabalho um simples diário de revoltas e amores imbecis.

Leia, critique, chore, divirta-se ou vomite, mas nunca torne-me imbecil demais para o seu tempo, ou divino demais para sua compreensão. Você, leitor preguiçoso, crédulo ou incrédulo, ativo ou bobalhão, é o enfoque desta micha obra que tem o peso de machadadas a quilos de ideais carnívoros.

O teu coração já parou de bater a anos e só agora você percebe que precisa de uns socos poéticos para voltar a senti-lo. Pensepensepensepensepense... tudo juntinho...

Esqueça tudo o que aconteceu no passado!

Esqueça tudo que acontecerá hoje!

Esqueça tudo que viverá e todos os teus planos bestas!

Isso tudo é muito mais importante do que nada... antes ler um livro do que vigiar tua vizinha nua... ou melhor, vigie tua vizinha e depois continue a leitura.

As casas de agitações agitam só os esqueletos aliens... eu não sou daqui... minha casa é um lugar frequentado por estrangeiros...

Estrangeiros do mundo, que rimam sal com cal e no final... tudo é azedo igual... tudo é subsídio... é parâmetro... base para cá, para lá, acolá...

Não consuma minha obra como um vinho caro, encare-a como um sal de frutas...

Adeus e até logo!

Se algum dia cruzares comigo, diga ao menos o quanto desinteressante são minhas palavras...

Queridos leitores, o diabo acompanhe vocês... massa bestelóide.

E pra não deixar de ser acadêmico, e dar aqui justificativa a meu título: ``Toda canção de liberdade vem do cárcere!``

- Como se Gorch Fock tivesse alguma importância numa hora dessas...

Ricardo Celestino

segunda-feira, 5 de maio de 2008

MINHAS ANOTAÇÕES NO 12º CONGRESSO BRASILEIRO DE LÍNGUA PORTUGUESA E 3º CONGRESSO INTERNACIONAL DE LUSOFONIA - IP-PUC/SP

A língua portuguesa possui hoje duas ortografias: a lusitana e a brasileira. A ortografia lusitana é base para as nações lusófonas, exceto o Brasil, sendo lusófonas as nações que tem como língua materna ou segunda língua a portuguesa.

Existe uma proposta que visa ligar o galego à lusofonia, uma vez que existem características lingüísticas próximas entre o português luso, o brasileiro e o galego.

Toda e qualquer reforma lingüística visa respeitar a unidade social que há na língua e refletir em cima das semelhanças ortográficas. A questão ortográfica da língua portuguesa tem quase um século (desde 1911, que deu-se a primeira reforma ortográfica de Portugal, sem a consulta de nenhuma outra nação lusófona).

Segundo Malaca Casteleiro, a língua (ortografia) não é só Portugal, mas todos os usuários dela. Por isso a necessidade de uma reforma com o consenso de todas as nações.

O QUE HÁ DE COMUM ENTRE PORTUGAL E BRASIL NAS REFORMAS ORTOGRÁFICAS?

Hoje, brasileiros aceitam suprimir as consoantes mudas e não articuladas.

Sempre houve a reflexão de um consenso entre a Língua Portuguesa brasileira e a Língua Portuguesa lusitana.


(um resumo breve da palestra de abertura do 12º Congresso de Língua Portuguesa e 3º Congresso de Lusofonia da PUCSP, ministrada por João Malaca Casteleiro da Academia de Ciências de Lisboa)


Logo que acabou a palestra de abertura eu pensei: Nossa! dá pra criar uma baita reflexão sobre a reforma ortográfica e a norma culta, já que ambas visam o respeito das unidades sociais da língua, mas acabam, de certa forma, sendo as responsáveis pela criação de inúmeros preconceitos lingüísticos graças a ´´bons gramáticos´´ que refletem a língua ainda com o discurso de certo e errado.

Fica como sugestão de leitura O preconceito lingüístico, de Marcos Bagno, e uma olhada bem minusciosa nas entrelinhas da Gramática da Língua Portuguesa, 2º grau, de Ulisses Infante e Pasquale Cipro Neto. Pra quem não tem amigos e assistiu o Altas Horas nesse sábado e ouviu o discurso do Professor Pasquale a respeito da língua portuguesa como um armário com inúmeras roupas, vale a pena ler os dois livros.


AHHh! vale ressaltar que mesmo o Brasil tendo uma ortografia que difere, em pouquíssimas palavras, da lusitana, ainda não podemos dizer que exista a Língua Brasileira e a Língua Portuguesa. Aliás, essa é outra discussão que dá muito pano pra manga e exige muito mais pesquisa do que a simples comparação de pronúncias.


Ainda no congresso, Evanildo Bechara trouxe uma reflexão bem interessante sobre gramática. Aí vai minhas anotações:


Estudo sobre a Introdução da Investigação Científica da Gramática Brasileira

- Said Ali foi um gênio na construção da gramaticografia portuguesa no Brasil.

Said Ali: - professor de alemão;

- desenha as regiões do Brasil (1905);

- nascido em Petrópolis (mãe brasileira e padrasto alemão);

- língua materna alemã.

- trouxe para a Gramática Portuguesa novidades metodológicas do curso de Fernand de Saussure.

Reflexão sobre a sincronia e a diacronia na gramática.

- Gramática Elementar: Visa à construção lingüística do indivíduo.

``Descrição de uma língua só pode ser feita sincronicamente.``

- Chama sua gramática de Lexicologia do Português Histórico e afirma que a língua deve ser documentada, pois ela inicia-se falada e daí passa para a escrita. A gramática trata das formas do português em sua documentação escrita.

- como se pode fazer uma gramática histórica sem latim? (As críticas que envolvem a gramática de Said Ali)

- Teoria de Saussure de que a descrição é um estágio lingüístico e o que Said Ali faz é comparar dois estágios lingüísticos sendo o primeiro o português atual, o segundo um português mais antigo.

- Proximidade com a competência lingüística do estudante, já que o Latim fora tirado da grade curricular das escolas.

- Propõe uma nova divisão das fases históricas da Língua Portuguesa.

- Said Ali reflete até a fase do Português Moderno de Machado de Assis, sendo suas últimas leituras Júlio Dinis e Eça de Queiroz.

- O português contemporâneo começa a ser explorado por outros pesquisadores, seguindo como base a gramática de Said Ali.

INTRODUÇÃO DA FONÉTICA SINTÁTICA

- Said Ali é o primeiro a refletir sobre a fonética na gramática, no capítulo referente às dificuldades com a sintaxe (problemas de entonação)

- Até o séc. XVII permanecia a próclise, mas a partir dos séculos seguintes, há uma pronomização em Portugal, intensificando a sílaba tônica.

- Os Lusíadas possui em sua métrica a mesma cadência rítmica do português brasileiro hoje.

CONCLUSÃO DE BECHARA

- Said Ali é um mestre que deve continuar a ser refletido nas gerações posteriores assim como Fernand de Saussure. Ele traz para a gramática da língua portuguesa as primeiras reflexões sobre a dicotomia da língua (fala e escrita), observando-a como um sistema lingüístico.


(Evanildo Bechara, ABL - UFF - Liceu Literário Português, palestrante no 12º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa e 3º Congresso Internacional de Lusofonia da PUCSP)


E assistir Bechara sem dúvida é a melhor coisa do mundo! O cara manda bem demais e te motiva a pesquisar e estudar, por que você sai de lá se sentindo extremamente idiota e burrão. Vale como sugestão de leitura o Curso de Lingüística Geral de Fernand de Saussure e uma consultada na gramática de Evanildo Bechara que traz reflexões interessantes não só sobre a dicotomia da língua como a real função que uma gramática deve ter (subsídio na hora de estar praticando a língua em uma devida situação).

Celso Cunha também tem uma gramática boa pra quem pensa em revisar textos. É sempre bom ter essas gramáticas em casa, mas cuidado para não comprar uma gramática histórica, por que ela não vai te servir pra nada! rs...


Bem, pra encerrar, trouxe também algumas reflexões do Luís Carlos Travaglia a respeito do ensino das teorias lingüísticas em sala de aula.


- Teorias Lingüísticas e sala de aula – uma ponte possível

COMO APLICAR TEORIA LINGÜÍSTICA EM SALA (sendo teoria lingüística o ensino da língua materna ou gramática descritiva)

I – Bases para ir da teoria às atividades em sala de aula

- Objeto de ensino;

- Estruturação e composição das atividades;

- O conhecimento teórico da língua é fundamental para o professor.

Meta: desenvolvimento da competência comunicativa.

- Menos ênfase à teoria gramatical.

- Necessidade em saber usar a língua.

- Possibilidades significativas dos recursos lingüísticos.

- Competência comunicativa: usar recursos da língua de modo adequado numa situação devida.

- Língua como forma de interação.

- O significado vai além da seqüência lingüística.

- Efeito de sentidos que pode ser produzido num texto. O QUE?, POR QUEM?, EM QUAL SITUAÇÃO?, QUAL OBJETIVO?

``Menos importante desenvolver do aluno a teoria gramatical do que mostrar sua função inserida num texto.´´

A TEORIA É UMA TENTATIVA DE DESCREVER ALGO DA LÍNGUA, E DEVE SER USADA COMO SUBSÍDIOS

- Há mais que uma descrição para o mesmo ato lingüístico.

- Há possibilidades de construções de novas teorias lingüísticas.


(Luíz Carlos Travaglia, Univerdade Federal de Uberlândia, 12º Congresso Brasileiro de Língua Portuguesa e 3º Congresso Internacional de Lusofonia)

e enfim, eu achei toda essa reflexão muito interessante, por que todas as palestras que eu assisti deixaram aberto uma coisa: continuem estudando sempre, por que a ciência, embora pareça já não ter mais campos de pesquisa ou espaço para coisas novas, está sempre abrindo campos de discussões interessantes que podem muito bem influenciar na prática das pessoas. O congresso é realizado de dois em dois anos. Esse é o segundo que eu participo e saio de lá mais motivado que quando sai do primeiro. Deveríamos cobrar esse tipo de evento em nossas faculdades também. Isso valoriza quem pensa em seguir uma carreira que não é lá muito valorizada hoje em dia: tanto o professor de letras quanto o pesquisador dos fenômenos que envolvem a linguagem.


- RICARDO CELESTINO