segunda-feira, 22 de julho de 2013

A UM ALÉM QUE ESTEVE, HÁ POUCO, AQUI... A MANEIRA INCOMPLETA DE DESPEDIR-SE COMPLETAMENTE.

Uma despedida. Como prepara-se para uma despedida repentina? Como organizar-se, objetiva e emocionalmente, para um adeus? Como despedir-se de alguém ou algo sem deixar para trás o que não foi? Como recuperar, na despedida, o não feito? Como compreender que somos carne, osso e incoerências? Como não valer-se da lágrima para justificar alguma ausência? E como despedir-se? Como ilustrar bem feito o adeus que merece, de direito, o despedido? E se esse adeus, repentino e rápido, dilacerador, mesmo quando aguardado, não dura os dias, suficientes para um bom planejamento? O beijo, o abraço, o corpo debruçado sobre o corpo despedido, são suficientes para um adeus compreensível? Qual o segredo da boa despedida? Basta dizer, adeus, te amo, queria que não fosse, poderia ter sido diferente, a culpa foi minha, a culpa foi tua? O culpado, afinal, é a gente? Se para despedir, assim repentinamente, eu tenho tanto dolo e tanta pena, pergunto pra que a vida? Será ela, o ensaiar da despedida? E se a vida é assim, projeção do que é fim, o que fazemos dela, o que fazemos, enfim? Será a vida, preparativo da despedida? A sorte de escolher as estratégias certas para um adeus perfeito? E a ausência de vida? Será que existe a presença, ainda infinda, do presente sorriso de vida? Pedir ombro, quando não se tem mais ombro, é saber despedir-se, enfim, da vida?


Um comentário:

Dênis Girotto de Brito disse...

Talvez a melhor forma de despedir-se seja a não despedida. Ótimo texto.

O POETA E A MADRUGADA
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